Partiste sem que eu de ti me pudesse despedir, não deste um sinal de alerta para que alguém em teu auxílio podesse correr, ninguém te conseguiu salvar. Os teus lindos e puros olhos azuis fecharam e tu com um sorriso no rosto ficaste. Aquele sorriso que te destacava de todos os avôs, aquele sorriso que brotavas sempre que vias a casa cheia com a tua família.
É esta família que agora sofre a tua ausência física, porque tu jamais morrerás na nossa vida e porque a ti jamais deixaremos de amar. És e sempre serás um exemplo a seguir, um modelo de Pai presente, um Avô compreensivo e atento, um bisavó carinhoso e bondoso. Um Homem humano, um Homem de Fé. É por seres tão bom que Jesus te deu uma morte tranquila e te quis para junto Dele.
Não esquecerei nunca os passeios que contigo dei, as nossas idas ao campo quando eu ainda era criança, as nossas conversas, o teu sentido de humor, os teus abraços, a tua alegria, a tua companhia, a tua força de viver, o orgulho que sentias em todos os teus filhos e netos e o carinho que por mim nutres.
Recordo do dia em que andei no teu carro e tu aflito com a minha inexperiência dizias "trava Nina, trava Nina" e mandas-te virar à direita e eu dei o pisca da esquerda e disse "Já está avô". Momentos como este há imensos e é neles que tento encontrar força para ajudar a mulher que amas e com quem partilhas-te mais de 54 anos de casamento. É neles que encontro força para permanecer firme junto dos teus filhos. É neles e com a esperança de que estás junto de Jesus a orar por todos nós que me esforçarei em recuperar o meu sorriso.
Sabes do que me estou a lembrar, querido Avô? Do dia em que vesti o meu traje pela primeira vez e tu acabavas de chegar com a Avó do hospital e perguntas-te se eu ia a alguma festa para estar "tão asseada". Depois de eu sair de casa disses-te a toda a gente "A Lurdinhas ia tão bonita". Estás a ver-me a chorar? Não queria que visses, mas também não te escondo nada. Estou a chorar porque naquele momento podia ter tirado uma fotogradia contigo e com a Avó e não o fiz. A verdade é que não contava que da próxima vez que o vestisse tu já cá não estarias para ver.
Sei o orgulho que tens em mim e o quanto ficavas feliz ao ver-me regressar depois de uma semana de estudo, o quanto ficavas contente por ir ouvir a banda de música e veres os teus netos fardados a tocar. Dava-te vida e os teus olhos brilhavam.
E aquela nossa promessa de ensinar a avó a escrever o nome dela, lembras-te? Dizias que me oferecias um anel de ouro se eu a ensinasse e sabias tão bem que eu não gostava de ouro. (sempre a brincar)
Avô, eu amo-te. E se nunca te disse, espero que as minhas atitudes o tenham demonstrado.
Descansa em Paz, meu querido Avô.
Da tua Neta Lurdes
Obrigada a todos os que estiveram na despedida do meu Avô. Foi importante a vossa presença e o vosso abraço.