domingo, 9 de maio de 2010

Avô

  
   Querido Avô,
   Partiste sem que eu de ti me pudesse despedir,  não deste um sinal de alerta para que alguém em teu auxílio podesse correr, ninguém te conseguiu salvar. Os teus lindos e puros olhos azuis fecharam e tu com um sorriso no rosto ficaste. Aquele sorriso que te destacava de todos os avôs, aquele sorriso que brotavas sempre que vias a casa cheia com a tua família.
   É esta família que agora sofre a tua ausência física, porque tu jamais morrerás na nossa vida e porque a ti jamais deixaremos de amar. És e sempre serás um exemplo a seguir, um modelo de Pai presente, um Avô compreensivo e atento, um bisavó carinhoso e bondoso. Um Homem humano, um Homem de Fé. É por seres tão bom que Jesus te deu uma morte tranquila e te quis para junto Dele.
   Não esquecerei nunca os passeios que contigo dei, as nossas idas ao campo quando eu ainda era criança, as nossas conversas, o teu sentido de humor, os teus abraços, a tua alegria, a tua companhia, a tua força de viver, o orgulho que sentias em todos os teus filhos e netos e o carinho que por mim nutres.
   Recordo do dia em que andei no teu carro e tu aflito com a minha inexperiência dizias "trava Nina, trava Nina" e mandas-te virar à direita e eu dei o pisca da esquerda e disse "Já está avô". Momentos como este há imensos e é neles que tento encontrar força para ajudar a mulher que amas e com quem partilhas-te mais de 54 anos de casamento. É neles que encontro força para permanecer firme junto dos teus filhos. É neles e com a esperança de que estás junto de Jesus a orar por todos nós que me esforçarei em recuperar o meu sorriso. 
   Sabes do que me estou a lembrar, querido Avô? Do dia em que vesti o meu traje pela primeira vez e tu acabavas de chegar com a Avó do hospital e perguntas-te se eu ia a alguma festa para estar "tão asseada". Depois de eu sair de casa disses-te a toda a gente "A Lurdinhas ia tão bonita". Estás a ver-me a chorar? Não queria que visses, mas também não te escondo nada. Estou a chorar porque naquele momento podia ter tirado uma fotogradia contigo e com a Avó e não o fiz. A verdade é que não contava que da próxima vez que o vestisse tu já cá não estarias para ver. 
  Sei o orgulho que tens em mim e o quanto ficavas feliz ao ver-me regressar depois de uma semana de estudo, o quanto ficavas contente por ir ouvir a banda de música e veres os teus netos fardados a tocar. Dava-te vida e os teus olhos brilhavam. 
  E aquela nossa promessa de ensinar a avó a escrever o nome dela, lembras-te? Dizias que me oferecias um anel de ouro se eu a ensinasse e sabias tão bem que eu não gostava de ouro. (sempre a brincar)
  Avô, eu amo-te. E se nunca te disse, espero que as minhas atitudes o tenham demonstrado.
  Descansa em Paz, meu querido Avô.

Da tua Neta Lurdes

Obrigada a todos os que estiveram na despedida do meu Avô. Foi importante a vossa presença e o vosso abraço.

2 comentários:

Luís Gonçalves Ferreira disse...

Lurdes, peço desculpa por não te ter ido dar um beijo nesse momento de tanta dor. Eu não sei lidar bem com estas situações... Foi tão de repente. Desculpa.
O teu avô, com certeza, estará num lugar melhor do que este, junto da minha avó, e à nossa espera. O tempo corre e vale a pena porque, um dia, teremos a oportunidade de ir para junto de Jesus, com eles, e viver para sempre.

Um enorme beijo e um forte abraço,
o teu primo.

Afonso Costa disse...

Lamento muito o que aconteceu, e sei que neste momento não há muito o que dizer, pois nenhuma palavra terá força suficiente para nos fazer sentir melhor. Acredito que o teu avô esteja num lugar muito melhor, e com certeza estará sempre perto de ti, seja de que forma for... Mesmo assim, desejo-te as maiores forças e deixo-te aqui um grande abraço.